Treino jiu-jitsu e sou faixa preta. Isso não me torna um médico melhor, mas muda o que eu consigo escutar numa consulta.
Quando alguém conta que o ombro saiu do lugar montando a guarda, ou que o cotovelo travou depois de aguentar uma chave tempo demais, eu não preciso pedir para explicar de novo.
Sei a posição, sei a carga que passou ali e sei o que costuma vir depois.
No ombro, as mais frequentes são luxação e instabilidade anterior, lesão do manguito rotador e luxação acromioclavicular depois de uma queda mal amortecida.
No cotovelo, entorse ligamentar por chave de braço, epicondilite por pegada no kimono e rigidez em quem voltou a treinar cedo demais.
No joelho, lesão de menisco e ligamentar na guarda e nas raspagens, além de dor femoropatelar por sobrecarga de treino.
A pergunta que todo mundo faz é quando dá para voltar. A resposta honesta é que depende da lesão, da fase de cicatrização e do que você faz dentro do treino, não do calendário.
O que tento evitar são os dois extremos: parar mais do que o necessário e voltar antes de recuperar força e controle. Os dois terminam no mesmo lugar, que é a recidiva.
Se você está treinando com dor, vale avaliar antes que vire limitação.